... Virtude ...

quinta-feira, 11 de março de 2010

Trilhos de Almourol - Narração Pormenorizada

Narração Pormenorizada

No domingo, 7 de Março de 2010, participei na 1ª edição dos Trilhos de Almourol prova com percurso de 35km, aliás tinha sido alterado para 38km derivado a muita chuva que se fez sentir nos últimos dias, mas no final, pelo GPS dos meus companheiros de prova foi de 40km e alguns metros que eu percorri.

Começou bem cedo o dia eram 6h00 da manha que segui em direcção do Entroncamento, na inadiável companhia da Ruth e da minha filhota Carolina que aqui agradeço a amabilidade de me acompanhar e por terem ficado sem algumas horas de sono, lindas. A minha irmã Isabel também nos acompanhou, obrigado!

Chegamos por volta das 7h00 nas imediações da zona de concentração que nesse momento estava deserto de atletas, o Brito um dos organizadores da prova dos CLAC, foi a primeira pessoa “conhecida” que troquei breves palavras ate a minha apresentação que ate então tinha sido só virtualmente, um prazer. De seguida fui levantar o meu dorsal aproveitando a pouca afluência de atletas, mal entro na tenda reencontro os meus grandes amigos Mário Lima, Joaquim Adelino e Susana Adelino. A Susana iria percorrer pela primeira vez “tamanha” distância, como ela dizia ”Nunca corri mais que uma Meia Maratona”, já éramos dois eu também era estreante nestas distâncias. Então com o meu saco de “ofertas”em minha posse dirigi-me para uma pastelaria para tomar novamente o pequeno almoço o recarregar de baterias, eu já tinha comido “Aveia com passas e mel, com banana” experimentei muito bom!! Tinha sido muito cedo e ate a há hora de partida ainda faltava umas horinhas.

Depois voltamos para o local de concentração dos atletas pois teríamos o autocarro que nos transportaria ate ao local de partida na Aldeia do Mato, já se encontravam muitos atletas e notava alguma confusão reencontrei-me novamente com os companheiros blogueiros que ao passar das horas o grupo ia-se aumentando, entretanto também chegou o meu cunhado António com a Isabel e o Manécas cunhado deles. Foi um pequeno briefing com algumas conversas sobre a prova não faltando fotografias para mais tarde recordar.

8h45 e partimos nós participantes nos Trilhos ate Aldeia do Mato,”curta” viagem mas num bom ambiente mas eu já com alguma ansiedade, nervosismo com o aproximar a hora de partida. Foi agradável de ver que nos seguiam ate ao local de partida o carro que transportava a comitiva de apoio a Ruth, Carolina, Isabel Almeida, Isabel e o Manécas condutor de serviço. Já na Aldeia do Mato com uma deslumbrante vista sobre a albufeira da barragem de Castelo de Bode, aldeia pacata com população muito simpática mas estupefacta com tamanha concentração de corredores em alta algazarra, ai tirar mais algumas fotografias, convívio que me soube bem aliviou a minha ansiedade, ainda me lembro das palavras do Mário Lima para Ruth, “não te preocupes, vou cuidar bem dele”, foi o reconfortar a Ruth, ele bem notou a ansiedade dela.

Já na hora, despedi-me das minhas meninas disse-lhes um ate já, que não fazia a mínima ideia a que horas iria chegar ao destino. Lá fui não sabendo ao certo o que iria encontrar, na companhia do Mário, os primeiros instantes da prova foram feitos a passo todos em fila indiana derivado ao percurso estreito e sinuoso. Mas juntos lá seguimos subindo e descendo ladeiras com muita água e lama que tornavas perigosas e escorregadias.

Passei junto há Estalagem do Vale Manso, e relembrei-me quando lá tinha estado em 2004 gostamos imenso de lá estar. Antes de chegar a barragem já tinha perdido o Mário que teria ficado para traz antes disso lembro-me das últimas palavras dele “Vítor, disse a Ruth que cuidava de ti, mas tu tens que fazer o mesmo comigo”, desculpa Mário por me ter ido embora mas sentia-me bem e comprovou-se no final.

No primeiro abastecimento 6.5km já ia sozinho, e ai com desabafos a mistura com dois corredores que envergavam t-shirts da equipa “talenter” que por coincidência foram as companhias durante o restante da prova. Descendo junto ao rio Zêzere num descer e subir barrancos, com lama, agua e muito arvoredo ai mesmo “sujei” os calções por ter escorregado numas pedras revestidas de musgo e foi inevitável bate-cu, nada de mal aconteceu e segui o meu destino. Nesse percurso um cruzar simultaneamente com ciclistas, e íamos incentivando simultaneamente.

Emocionante foi atravessar o rio Nabão numa ponte improvisada pelo exército, em cima dela andava aos saltinhos, derivado aos outros corredores com algum receio de ir ao “charco”, eu, ou o telemóvel porque aproveitei para tirar umas fotografias, foi assim quase durante a prova toda com o “máquina” na mão. Seguimos em direcção ao segundo abastecimento mas antes disso alguma incerteza ao rumo a tomar com ausência de “fitas” opção foi seguir “pegadas” marcadas no chão, foi uma boa opção.

Do principio ao fim com um constante subir e descer, por vezes “paredes” autenticas, descidas algumas de grande inclinação com muitas pedras e pedregulhos, trajecto com grandes valas a rasgar o chão, muitos laguinhos, lagos e piscinas, fui atravessando pinhais, eucaliptais com muitos troncos no chão para os contornar, saltar, pular, caminhos com lodo, lama e por vezes um lamaçal assustador por vezes os ténis ficavam “agarrados” que parecia ímanes, foi um constante lutar contar todas as adversidades.

Cheguei ao terceiro abastecimento mais ou memos com 22km como fundo a bonita cidade de Constância foi o reforçar das energias. Em direcção de Tancos que era o quarto abastecimento e no percurso junto ao rio Tejo com vista para o Castelo de Almourol, situado numa pequena ilha no curso do rio Tejo foi ai junto a linha de comboio que deixei de ver fitas segundo engano de percurso, a alternativa foi voltar para traz e apanhar boleia e as dicas de outros corredores.

Já em Tancos bonita freguesia é conhecida pela importância da sua actividade militar, gente nas janelas e portas na rua a verem aquele aparato vão e ruidoso massa humana sempre muito simpáticos em incentivar-nos que naquela altura era bom, antes desse quarto abastecimento, para abrir o apetite um “parede” mas desta feita em alcatrão para abrir o apetite, aproveitei em comer de tudo um pouco estava com fome também derivado ao cheirinho agradável das iguarias preparadas que se fazia sentir, era hora de almoço, foi hidratar-me bem porque ainda faltava muitos km ate ao final.

De seguida foi um ziguezague sempre a subir, quando se sobe há as inevitáveis descidas sempre presente as ditas parede ate a zona da Vila Nova da Barquinha, ai iria ser o quinto abastecimento que pelo GPS do meu “companheiro” ias-mos em 30km lá marcava numa tableta 33.5km, antes do abastecimento foi de ultrapassar uma paredezona que claro foi feita a andar e partir dai começou as dificuldades comecei a ter cambraias nos gémeos, foi durante praticamente uns bons quilómetros, alternativa era parar alongar e retomar encurtando a passada e fui resolvendo assim o problema ate passar definitivamente.

A partir da foi seguir as “fitas” ate ao final, e sempre persistente as dificuldades que a prova evidenciou, o cansaço já se notava e quando cheguei ao Parque do Bonito foi um encher de admiração por ter chegado ate ali e que já faltava poucos metros. A ribeira foi a última dificuldade água pelos joelhos que soube tão bem não só para tirar a lama que tinha e um refrescar dos gémeos, estava tão gelada que as anestesiou, foi um esquecer de todas as mazelas e dores.

Nesse momento foi o rejuvenescer, contente por já estar a chegar e partilhe-a com a Ruth que lhe liguei para lhe dizer que estava a 500 metros da chegada, dito pelo Brito que estava por ali, ficou espantada e muito contente. Já na parte final avistei-as, a Carolina foi a primeira que me cruzei e dei-lhe uma “palmada” na mão e a Ruth estava mais a frente a tira-me a foto da consagração que parei para a cumprimentar. Terminei a prova num honroso tempo de 4h34m nuns ostentosos 40km num ritmo 06:50 min/km, na classificação geral fiquei em 74º em 174ºparticipantes classificados, eu adorei imenso apesar da dureza, era Trilhos, teria que contar com isso. Nota Importante os ténis, Nike Trail Zoom Red Rocks II, portaram-se lindamente melhor que esperava, nota positiva.

No final estava cansadíssimo as pernas não queriam corresponder, então dirigi-me para as piscinas ali próximas para um recompensador banho de água quentinha. Era impressionante a lama que estava pegado as pernas e nos ténis, as meias eram brancas, eram pois, porque mudaram de cor. Em seguida o digno almoço para o retomar de energias ali mesmo na tenda que a organização disponibilizou. Já estava na hora de regressar a casa, bem que gostaria de ficar mais tempo, derivado a motivos pessoas tive que regressar a Lisboa.

Era tempo de despedidas fui ao encontro do Mário Lima e do Joaquim que se encontravam na zona de banhos pela indicação da Susana, foi um ate já porque neste domingo estaremos juntos na Corrida das Lezírias, penso eu. Hoje ao fim de quatro dias de recuperação já estou atingir os 100%, os músculos estão restabelecidos. Foi tempo de reflectir e dizer que adorei, a organização CLAC esteve muito bem 5º estrelas, os meus parabéns. Agradecimento especial ao Brito pela boa prova que nos apresentou, com insatisfação minha não ter conhecido pessoalmente sua esposa Otília mas eu cruzei-me com ela no abastecimento 33.5km.

Especialmente o agradecimento, sem elas não estaria ali, as minhas “Mulheres”, pelo todo tempo dispensado durante todo o dia, há minha irmã também. Agora e aguardar pela 2º edição Trilhos de Almourol.

Agradeço aos que tiveram a paciência de lerem a minha narração pormenorizada da minha prova, ate ao fim.

Boas recuperações para todos!

7 comentários:

BritoRunner disse...

Obrigado Vitor pelos elogios.


A prova foi durinha, mas trilhos são trilhos é o chamado atletismo fora de estrada, mas no final a sensação de termos superado as dificuldades é bem melhor.

Saudações trailianas
José Brito

Ricardo Baptista disse...

Caro Vitor,
Se fosse fácil... não tinha piada.
Parabéns por teres concluído este desafio e com um bom tempo. Agora é a maratona...
Um abraço.

joaquim adelino disse...

Parabéns Vitor.
Foste muito corajoso ao avançar para o desconhecido, isto faz ganhar confiança e deixa margem para ires avançando na distância. A partir daqui é muito importante a prudência e não embarcar em facilitismos porque nunca existem duas provas iguais, mesmo que ela seja a mesma.
Foi uma boa descrição da aventura, onde não faltou os enganos e a queda e com um tempo final muito bom.
Agora Domingo em Vila Franca é para recuperar.
Até lá.
Um abraço.

Mário Lima disse...

Olá Vitor

E estando a Ruth com uma lágrima ao canto do olho só lhe podia tranquilizar dizendo-lhe para não se preocupar, mas bem cedo o Vitor foi por ali acima e pelas muitas fotos que vi da prova, em nenhuma delas vi no seu rosto grandes dificuldades para contornar a dureza da prova, mesmo com a cãibras que em certa altura começou a molestar-lhe os gémeos.

Pelo relato aqui descrito foi uma bela prova, o tempo que fez foi magnífico, a família presente, a dar-lhe o apoio necessário para uma prova desta envergadura.

Sendo esta a primeira vez a fazer os trilhos melhor estreia não podia ser.

Parabéns, cumprimentos à Ruth e as melhoras do pai, para a mna Isabel e para a pequena Carolina vai um beijinho.

Lá iremos estar juntos de novo nas Lezírias, mas como o Adelino diz, será um curar das mazelas que ainda persistem e será uma prova para recuperar do esforço dispendido. Mas eu sei que quando começar a prova, um jovem se adiantará, o Vitor, para mais uma prova de sucesso.

:)

Abraço

ISABEL disse...

Olá Mano,
Obrigado pelo domingo bem passado, foi um prazer estar ali ao pé de ti!
Parabéns pela prova, estiveste muito bem.
Bjs
Isabel Veloso

Anónimo disse...

Olá Vitor
parabéns pela aventura nos Trilhos do Almourol, esta é daquelas que ficarão na memória.
Continuação de bons treinos que desafios não faltam.
Abraço,
António Almeida

João Paulo Meixedo disse...

Eia pá, que grande posta, ... grandes fotos, grnade prova.
Um abraço