... Virtude ...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

III Ultra GEIRA ROMANA

Meus Quatro Momentos
Cima Esq: Partida
Cima Dirt: Com umas amigas
Baixo Dirt: Fabuloso apoio Joaquim & Susana
Baixo Esq: Chegar a Meta



Foi no Domingo, percorri caminhos carregados de história na minha primeira Ultra, Ultra Trail Geira/ Via Nova Romana. De repente, fiz uma viagem ao passado, mais concretamente há 2000 anos, quando este trajecto era percorrido por várias pessoas a pé ou em carros romanos... A possibilidade de percorrer o caminho romano, ao longo de quilómetros, com subidas, descidas cheias de pedras e pedregulhos, com caminhos, estradas e estradões com a sua principal dureza os quilómetros, 52.512km anunciados juntando-se o imenso calor, a quantidade invulgar de miliários, as ruínas de pontes sobre rios, a visibilidade da via para a envolvente, o contexto paisagístico em que se insere, formam um recurso notável. A quantidade de miliários concentrados neste tramo da VIA NOVA, a floresta que os envolve, suscita uma magia extraordinária.

Sábado de manha posemo-nos a estrada no “autocarro”, como o amigo Carlos Coelho exclamou na corrida 1ºde Maio, com o destino norte de Portugal, família Veloso e família Almeida, foram 400km de alcatrão que se passaram num bom ambiente que ajudou a passar o tempo, de uma longa viagem. Num ápice chegamos, antes de seguir para o local aonde iríamos pernoitar passamos por Vila Verde para o reconfortante almoço, e ir a padaria Pedro comprar o famoso pão “broa de milho”, que maravilha. Já em Caldelas e nas instalações do Hotel da Bela Vista que recomendo plenamente, eu gostei, ao invés de todos que optaram em irem para piscina eu fiquei pelos aposentos para tentar descansar e retirar a ansiedade em que estava. Ao fim da tarde foi hora de levantar os dorsais passando pelo reencontro da família Blogosfera que aproveitamos para descontrair. Depois da noite mal dormida às 6h foi hora de levantar, na companhia do Antonio fomos tomar o pequeno-almoço onde reencontra-mos amigos de outras corridas. Frente as piscinas de Caldelas com hora de partida as 7h00 dos autocarros que transportariam os “aventureiros” para Baños, Lobios (Espanha). Quando o reencontro ainda em Caldelas com “Comando” e Daniel, nos dão a má noticia que o “Pára” estava com hemorragia nasal e não havia meio de parar. Foi 1h30 o tempo que demoramos a chegar ate ao local de partida, foi uma viagem bastante maçadora, no local de partida, “César” exprimiu-se por palavras sobre a Geira e dos "Ave César", eis a partida para os 52,512km que o percurso iria ter.

Segui na companhia do meu cunhado António por serra a cima sendo ultrapassados por vários corredores amigos acontecendo o incentivo mútuo, ai juntou-se o Daniel formando um trio. Na fronteira o 1º abastecimento, lá estava o Moutinho vestido de "Centurião" incentivando os corredores. Em Portela do Homem entramos logo de seguida na Mata de Albergaria, área de reserva integral do Parque Nacional da Peneda-Gerês, os carvalhos retorcidos pelo peso do tempo não morrem de inveja de umas pedras feitas caminho que, à sua sombra, são pisadas por todo o tipo de gente há quase dois mil anos, eis a minha vez de pisar, numa longa decida seguido pelo Daniel, perdi de vista o meu cunhado António, no local do primeiro posto de controlo perto de uma Ponte em madeira sobre o rio Homem muito bonita parecia renovada, ai fiquei uns instante a espera, alguns minutos decidimos seguir eu e o Daniel, depois só reencontrei o António em Caldelas.

De trilho fácil pela Mata de Albergaria sendo um lugar mágico, pelo imenso carvalhal que se atira encosta abaixo até ao rio Homem, com pouquinha água, seguimos por estradão onde podíamos apreciar, a norte, a soberba Serra Amarela, imponente mesmo quando se curva para se deixar desenhar nas águas paradas da Albufeira de Vilarinho das Furnas. No meio de tanta beleza encontrei uma zona de mata ardida, ficando triste ao presenciar tal desgraça. Sempre na companhia do Daniel lá seguimos palmilhando terreno, com riachos de água por vezes com lama em que eu tentava contornar esses obstáculos. Em terras de Bouro no Campo do Geres encontrava-se outro abastecimento, lá estava o "Centurião" e “César” que diziam,”partir daqui vai ser mais complicado”, aqui também se encontrava o Brito em que depois seguimos juntos por trilhos mais técnicos e contornando obstáculos, passando por aldeias mas sempre com a maravilhosa paisagem no nosso campo de visão, ate ao 25km, ai tínhamos mais um abastecimento. Nos abastecimentos sempre bem compostos para saciar e hidratar os corredores, também aproveitava para retirar as pedras que se alojavam dentro dos ténis e reabastecer as garrafas agua que levava comigo. Ai ficou o brito e lá seguimos novamente eu e o Daniel, durante todo o percurso aproveitei sempre que podia para tirar umas fotografias para mais recordar quase tudo que aparecia pela frente inclusive a duas gentis vacas que se deixaram fotografar com a minha presença.

Ao não ter noticias do Joaquim Adelino, mas local de partida o tinha visto sem a hemorragia nasal, não sabia se tinha iniciado a prova, decidi telefonar para o Mário Lima para saber como eles estavam, o Mário tinha-me informado que iriam fazer juntos. Liguei várias vezes e nada, perguntei ao Daniel se sabia o número de telemóvel do Joaquim, mas não sabia. Então optei pelo sms a perguntar por eles, entretanto enquanto esperava resposta do Mário, liguei ao meu cunhado para saber como estava, informou-me que já se tinha perdido mas estava correr tudo bem. Já ia nos 30km e o Daniel ficara para traz, fazia-se sentir um calor infernal sem qualquer brisa de vento, disse-me que ia muito rápido mas eu sentia-me bem naquela cadência, daí ate ao final fiz a prova sozinho, quer dizer sem os amigos mais chegados. Entretanto ia aproximando e passando corredores, por volta dos 30km cruzei-me com o Jose Magro que já ia a passo que me diria que já não dava para muito mais, corri alguns quilómetros com o ”Abutre Vitorino” que ia no seu comboio das 5h, mas como lhe dizia 5h59 são sempre 5h mas também ficou para traz. O que mais me impressionou no abastecimento no 35km um corredor se encontrava esgotadíssimo que se interrogava o que ali estava a fazer que nunca tinha feito mais que 10km, sim 10km em fiquei incrédulo com tal afirmação, depois perguntam as pessoas porque acontecem as coisas. Dai sai com esse dos “10km” e um da equipe CLAC percorremos 1km 1.5km quilómetros mas ele (CLAC) não se sentia lá muito bem, dizia-me que tinha muitas dores nas pernas e que lhe doía o peito, disse-lhe para parar e sentar-se um pouco mas insistiu sempre em continuar, como ia acompanhado decidi então seguir.

Eis o momento que tenho resposta o Mário, já estava no 39km, ligou-me a contar as peripécias, que o Joaquim teria ficado pela partida por causa da hemorragia nasal e ele tinha caído se encontrava magoado e perdido na serra há mais de uma hora. Nesse momento seguia com três corredores que ouviram a conversa e diziam-me para ele ligar para o Moutinho o "Centurião", mas eu nem o Mário tínhamos o número ate que um de cabeça soletrou o número e de imediato dei ao Mário, partir daí não consegui saber mais nada, só no final em caldelas. Estava um pouco triste e desolado com os dois acontecimentos e para desabafar liguei mais uma vez Ruth foi sempre uma constante da prova para ir dando notícias, desta vez para contar a má sorte que o “Pára & Comando” tivera. Para o ano estamos na IV Geira, vocês para desforra e eu para acompanhar-vos. O 40km a chegar coincidindo com outro abastecimento mas uma vez lambuzei-me todo em marmelada e Coca-Cola e reabastecer as minhas garrafas, aproveitai para perguntar pela tal subida de inclinação 10%, tal como o brito me informou, no briefing de sábado deram essas e outras informações tal como os intervenientes estavam vestidos a rigor e eu faltei, não vi nem ouvi nada. Nada disseram da subida e diziam que era sempre a descer, segui o meu rumo ate que encontro a sinalização vertical informar dos 10%, ai ri, o Moutinho enganou-nos a inclinação seria ao contrario. Segui ate ao 43km sempre a descer ate teremos de curvar a direita e ai esta a tal subida, de facto não nos enganou era esta, no final da subida estava a sinalização vertical dos 10%, nada de especial igual a outra subida difícil não era para ser feita a correr por isso a opção era mesmo andar.

Antes do último abastecimento encontrei com um companheiro que tínhamos feito, Almourol e Arrábida que estava desgastado, dirigi-me para a última tarefa uma longa subida ate ao cume de um serra, o Sérgio (Macedo oculista) bem que me gritou a incentivar e dizia para seguir a Gloria que tinha boa “pedalada”, era a única mulher ali por perto e seguimos juntos, durante a subida íamos conversando sobre a prova e admirando a paisagem e sentir o calor que era muito e pela pouca vegetação não havia sombras para nos resguardar, encontrava-se desgastada e com cambreas nos pés desde os 20km. Depois de uma subida ao cume da serra naturalmente a descida pouco técnica feita sem dificuldade ate ao momento que encontro um enorme caminho atolado de pedregulhos na qual teríamos que passar efectuei a descida correndo, saltando, pulando pedra em pedra a certa altura tive que agarrar-me a uma vegetação para parar o andamento que levava, com que fez que fica-se com dores nos dedos dos pés. Faltava sensivelmente 2km depois de uma curva dou de caras com o Joaquim Adelino e a Susana Adelino na qual fiquei surpreendido e muito contente por os ver ali, estavam ali a nossa espera e ajudar quem precisasse, eu ia bem recebi uma garrafa de água bem fresca que bem me soube e um ultimo incentivo que já faltava pouco, adorei, obrigado aos dois pela coragem que tiveram de permanecerem ali ao calor para ajudar o próximo. Queria terminar a prova e fiz estes últimos km numa vontade extrema, para estar de novo perto das minhas meninas. Estive à altura e Terminei a “III Ultra Geira Romana” de mão dada com a minha Carolina, o meu Garmin marcou 51.670km, com o tempo ( 6h07min ), terminando em 50º da classificação geral masculino (total 118 atletas masculinos), pois 55 atletas masculinos por várias razões não puderam terminar suas prova, ficam bem patenteados as dificuldades que a prova mostrou.

Depois de dois reconfortantes beijos das minhas meninas, fui tomar reconfortante banho no hotel seguindo para o almoço junto a piscina municipal de Caldelas fornecido pela organização. Depois do almoço reunimos em ambiente de convívio por ali mesmo, o Pára, o Comando, a Susana, o Daniel, os Almeidas e os Velosos foi o concluir da confraternização e tirar ilações da prova. Pára o Comando não desanimem perdeu-se uma batalha não a guerra para o ano cá estaremos de novo. Depois foi a longa viagem de regresso, mais 400km mal qual tivemos que parar 2 vezes para os corredores desenferrujarem as pernas, no geral o fim-de-semana decorreu dentro das perspectivas eu faria tudo de novo valeu bem o sacrifício que fizemos, especial agradecimentos as minhas meninas pela seca que lhe dei, mas também se divertiram imenso era isso que eu queria. Desejo rápidas melhoras e especial abraço para o “Pára & Comando” que regressem o quanto antes.

Boa recuperação para todos e continuação de boas corridas.

"Acham que podia viver sem a corrida; podia, mas não seria a mesma coisa… "

Mais Fotografias aqui no meu Album Picasa

9 comentários:

Fernando Andrade. disse...

Parabéns Vitor.
Quem diria, que em pouco tempo temos aí um ultra e peras, ãh.
Grande abraço.
FA

joaquim adelino disse...

Parabéns amigo Vitor, que grande prova e que grande coragem, quando te vi aparecer ali fiquei surpreendido, e ainda por cima vinhas muito bem fisicamente. Espero que recuperes rapidamente deste esforço, e quero agradecer-te pela preocupação que tiveste ao longo da prova comigo e também pelo Mário.
Confesso que me senti melhor da ansiedade depois de assistir à vossa chegada, pois estava apreensivo devido à distância e também ao calor.
Isto já está bom e vou começar a preparar a Geira.
Abraço.

José Xavier disse...

Grande Vitor;

É bom de ler este longo texto, sobre a participação numa prova muito especial. É bonito de ler toda a envolvência, paisagística, desportiva e do desafio que tiveram. Prova de muita coragem e demonstra que está de boa forma e desfruta destes belos momentos da vida.

Um abraço
Xavier

Filipe Fidalgo disse...

Olá, Vitor.
Acedi incansávelmente ao teu blogue para ler este tão aguardado Post, e acredita que superou todas as minhas expectativas.
Muitos Parabéns pela EXCELENTE prova, estás a provar a ti próprio que prova atrás de prova te vais tornando um verdadeiro Ultra corredor.
Parabéns pela estreia nas Ultras, que seja a primeira de muitas.
Um grande abraço e até domingo numa nova opotunidade.
Filipe Fidalgo

Fábio Pio Dias disse...

Olá grande Vitor,

Chegaste ao fim de uma prova com um grau de dificuldade elevado, e que não sendo fácil pelo que constatei pelos outro amigos bloguistas, foi também uma prova de superação...parabéns e um abraço ultra!

Até à Corrida do Oriente!

Mário Lima disse...

Vitor

Obrigado desde já pelo teu cuidado relativamente a mim e ao Pára. Obrigado também pela preocupação que tiveste quando te disse que estava lesionado e perdido na serra e pelo envio do nº do tlm do Moutinho. Foi reconfortante e importante falar contigo na situação que estava.

Quanto à tua prova foi de um DUR e não de um TAN. A facilidade com que acabaste demonstra bem que estavas há muito predestinado para este tipo de provas. E a pensar que não estavas (assim como o António) para fazeres a Geira. Ainda bem que foram, valeu pelo convívio, valeu pela valentia e valeu pela espectacularidade da natureza envolvente.

António Almeida disse...

Já és um Ultra, Parabéns!
Foi um fim-de-semana onde tudo correu às mil maravilhas, pena o que aconteceu ao "pára" e ao "comando".
Resto de boa semana, o "Corre-praia" foi anulado por falta de participantes.
Abraço.

Susana disse...

Olá Vitor, muitos Parabéns pela tua vitória de terminares uma aventura dessas! Muito bem! Não tens de agradecer, água sabe sempre muito bem, então ali naquela altura...tivémos um prazer enorme em estar ali a apoiar no possível.
Tudo de bom e até uma próxima, beijinhos à Ruth e à Carolina

Mário Lima disse...

Vitor

Faltava, para além de comentar o teu tema, ver as tuas fotos e fazer aqui o meu reparo. Estão fabulosas. Peguei nas mesmas depois do local onde me lesionei, na Quebrada (soube que foi aí devido aos pormenores do teu cunhado António), e fui vendo o resto da Geira através das tuas imagens.

Em todas onde apareces o esforço facial é mínimo o que demonstra que esta prova correu-te às mil maravilhas. És um Ultra por isso tenho que te dar os Parabéns.

Sobre o facto de para o ano poderes ir repetir a prova connosco, sabes bem que tenho imenso prazer da vossa companhia (já disse o mesmo ao António) e se for da vossa disposição lá estaremos, desta vez de Caldelas para Lóbios.

Irei de férias segunda-feira, caso a gente não se veja até lá, continuação de bons treinos e boas provas.

Um grande abraço e tudo de bom para todos vós.