... Virtude ...

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

UMA Melides / Troia

Ultra Maratona Atlântica Melides-Tróia primeiro de Agosto de 2010, realizou-se mais uma Ultra com a particularidade na minha opinião de ser uma das mais duras, estivemos a mercê da Mãe Natureza, que foi implacável para com os atletas, pôs aprova a resistência dos atletas em condições difíceis. Minha primeira participação na UMA em que treinei com entusiasmo no areal da Costa da Caparica, mas não chegou. Sentia-me preparado para esta prova, mas com as condições que encontrei no desenrolar da prova dei conta que não, na próxima edição em que tenciono estar presente vou preparar-me ainda melhor, treinar mais duro!

Uma prova uma romaria, família Veloso, família Almeida, juntou-se também família Mota, e os meus pais e irmã que estes fizeram questão de acompanhar-me neste dia. Chegados a Lagoa de Melides ou praia de Melides com o tempo nublado sem sol por sinal foi bem melhor, foi o reencontro com os amigos da blogosfera corredora que eram muitos, Mário Lima, Fernando Andrade, Joaquim Adelino, Luís Parro, Daniel Pinto, Carlos Coelho, Carlos Lopes, Jorge Serrazina, Analise Silva, entre outros. Já com o dorsal tempo de artilhar-me, camelback pronto com 5 garrafas de 33cl com bebida isotonica, o deposito com 1.5lt de água e 5 extreme gel e o telemovel. Despedi-me das minhas meninas e dirigi-me para o local de partida. 9h00 partida dada pela padrinho da prova o Carlos Lopes, segui em direcção de Tróia, decidi ir correr junto ao mar e assim me mantive ate final, muitos andaram para cima e para baixo para escolherem a melhor opção. Areia estava muita solta com uma inclinação acentuada logo de principio, mas em mente que talvez a partir do 8km, 9km podia melhorar, as provisões não eram boas.

Deparei-me logo de inicio a correr sozinho, sem alguém conhecido, assim foi toda prova. Ia consultando o relógio, os quilómetros iam passando, Praia da Aberta Nova 5,5km com 37min, 9km ,10km ,…. mas a maré continuava bem em cima, inclinação presente, areia mole num zig-zag para não molhar os ténis e aproveitar alguma areia mais compacta para correr mas isso não se sucedia, estava complicado. Por vezes a maré subia tão rápido que impossibilitava qualquer tentativa de fugir, sem me molhar muito continuei a minha prova, Praia da Galé com 59min ia com 10km, era altura de reabastecer-me com Gel, a táctica foi tomar um em cada hora da prova, e os líquidos em cada 5km, intervalando isotonica/agua. Por volta da 1h40 com 15km na Praia do Pinheiro da Cruz a Ruth liga-me, e perguntava-me com estava, eu dizia, “isto está muito duro”, e disse-me que estavam no 20km na Praia do Carvalhal a nossa espera como combinado. Passo a Praia do Pego com 18.5km com 2h05min. Com 2h15m cheguei ao 20km, ate ai tinha feito sempre a correr, estava muito cansado e tinha planeado trocar de meias para me sentir mais confortável, estive ai parado 5min. Despedi-me e arranquei a carga física tinha sido muito dura e esperava que ouve-se melhoras de terreno a partir dali, mas isso não se sucedeu. 1km depois tive que parar, estavam demasiados apertados os atacadores. Deparava com alguns atletas a caminhar, outros sentados, outros dentro de agua, a minha vontade era também de me por a caminhar, mas ia resistindo. Entre os 20km e o 30km parei para caminhar 3vezes, com 3h de prova foi para ingerir o gel, depois estava com dores no tornozelo esquerdo e no joelho direito, e novamente na Praia da Comporta aos 28.5km com 3h24min para reabastecer-me com 1lt de água e tirar alguma areia dentro dos ténis, ai estive parado mais 5min. Por breves momentos passou-me pela cabeça em abandonar a prova, mas arranjei vontade porque a força não era muita segui num ritmo lento, porque também o terreno não ajudava para muito mais.

O trocar de meias foi um procedimento em vão, porque pouco tempo depois uma subida da água foi tão rápida e sem forças para reagir e fugir aconteceu o inevitável banho, partir dai já não me importei e foi chapinhar ate final. Partir do 33km, as condições do terreno melhoraram bastante a areia estava mais compacta, os pés não se enterravam, mas a inclinação ainda estava presente. Já não me importava com água, num ritmo bom o que era possível no momento os 10km finais consegui os completar sem parar, feitos na companhia do amigo Nilton. Os quilómetros iam-se ultrapassando a ansiedade de chegar ao final começava a tomar conta da mente passava mil e uma coisas pela cabeça. Ao 37,5km na Praia de Sol Tróia mais um ponto de passagem de controlo electronicamente passei com 4h39min faltavam 5.5km a vontade de aumentar o ritmo era muita, mas o cansaço era muito, ao longo do percurso quando passava pelas praias o incentivo dos banhistas era algo que se notava e dava algum ânimo para enfrentar as adversidades. Estes últimos quilómetros pareceram-me uma eternidade a vontade de ver o Pórtico final era imensa. Finalmente ao longe o Pórtico da meta alegria tomou conta de mim faltava pouco para superar mais uma prova. Fiquei contente de ver o meu pai no areal a minha espera, não era ilusão, grande animo me deu. Este Ultimo quilometro feito a três, eu o Nilton o meu pai também deu a perninha. Os metros finais em areia seca muito solta foi de arrasar mal conseguia dar um passo quem me “ajudou” foi a minha menina Carolina que me rebocou ate a meta, alegria imensa estar de novo junto dela e de rever a familia.

Termino os 43,5km em 5h14m obtendo 56º lugar da geral. Recebo o saco com os brindes, dirijo-me para tenda para reabastecer-me com fruta, melancia, melão e uvas e uma Coca-Cola. Tenda de massagem vou reconfortar os músculos das pernas com uma boa massagem para o ácido lático não se acumular. Apesar das muitas dificuldades gostei da prova pela sua dureza com a particularidade em ser auto-suficiente. De tudo que transportei mais o abastecimento ainda terminei com 1lt agua no camelback e um extreme gel. Encontrávamos numa belíssima praia em Tróia foi tempo de desfrutar do mar com umas banhocas em águas límpidas, saborear o lanche fornecido e ficar aguardar que os companheiros da blogosfera corredora terminassem as suas provas. Agora e tempo de recuperar das mazelas, tenho algumas dores no tornozelo, ficar a 100% para próximas aventuras que é já sábado para os 42km II Trail Nocturno em Óbidos, seguindo-se no domingo do “Corre-Praia” em Peniche se tiver em condições. Após um longo dia com muito convívio, nervosismo, ansiedade e a satisfação, adorei estar junto da minha família e da grande família corredora. Os meus sinceros parabéns a todos os bravos sem excepção que tiveram a coragem em participar e que terminaram, também aos que por alguma razão não puderam terminar, felicito aos que nos proporcionaram esta prova Duríssima mas magnifica, que a próxima edição se torne realidade e seja melhor.

Meus Números:

Quilómetros: 43,5km
Tempo: 5h14:40
Classificação geral: 56º / 166º
Escalão Sénior: 13º / 34º

6 comentários:

luis mota disse...

Olá Victor
Parabéns pelo sucesso alcançado.
Foi na realidade uma dura prova que exigia uma preparação adequada.
Um verdadeiro “Duro” com objectivo já para o próximo fim-de-semana e parece-me que serão 42+8 o que serão 50 km de corrida em competição. Grande Victor!
Cumprimentos para todos da família Mota.
Luís mota

Filipe Fidalgo disse...

Olá, Vitor.
Grande relato, Dur júnior.
Grande Prova, cheia de ambição e sacrificio, e com um final muito feliz.
PARABÉNS.
Um grande abraço

Mark Velhote disse...

Olá Vítor,

Que grande epopeia! Quem faz esta faz todas !
Parabéns e força para a próxima!

Abraço

Fábio Pio Dias disse...

Mais uma vez Vitor...parabéns!

Ainda não saíste de uma, talvez a mais difícil disputada em Portugal, e já estás com o pensamento no Trail de Óbidos, és um vencedor nato!

Abraço e melhoras para o tornezelo!

Mário Lima disse...

Vítor

Ao ler-te todos temos a noção de que esta prova foi realmente a mais dura que alguma vez tiveste pois para pensares em desistires, coisa que nunca nos teus escritos sobre tantas provas já efectuadas li, é sinal que o cansaço era muito.

Mas não fosses tu um Homem, com a coragem que difere um TAN de um DUR, e levaste a prova até ao fim.

Que recuperes depressa, pois mais uma "tareia" te espera neste fim-se-semana. Mas como te disse ao telefone, tens a força da juventude. Por isso, se não houver problemas com o tornozelo, com o "pirilampo" a alumiar o caminho, mais uma prova será superada.

Os meus agradecimentos a toda a tua família, teu pai, mãe e mana incluídos, pela simpatia com que me recebem.

Um abraço DUR Vítor. Voltaremos a ver-nos por aí, numa prova rumo aos céus.

MPaiva disse...

Vitor,

Muitos parabéns por teres conseguido completar a prova e pelo belo desempenho alcançado.

abraço
MPaiva